O que esperar do São Paulo na Libertadores?

Boa tarde, Tricolores!

Na última quinta-feira vimos o São Paulo meter um 4 a 0 “fora o show” no Toluca. O time teve raça, jogou de maneira consistente e consciente,  procurando não dar chutão e priorizando a posse de bola, tanto é que ao fim do primeiro tempo, tínhamos ficado com ela nos pés 75% do tempo. Renan, que entrou na vaga do Denis esperando poder mostrar o seu trabalho nem teve esta oportunidade, coitado. O maior risco a que se expôs foi pegar uma gripe com a friaca que fazia no Morumbi. Morumbi, que, aliás, estava lindo. Torcida cantando o tempo todo, incentivando e literalmente empurrando o time, que respondeu à altura.

Foi lindo? Foi. Fomos dormir felizes? Fomos. Mas agora vamos analisar friamente a situação.

O Toluca não é exatamente um time forte. É o vice líder do campeonato mexicano, mas vamos combinar que, no jogo, o time mostrou inúmeras deficiências e deu um certo espaço para o Tricolor jogar. Desde já quero deixar claro que não estou DE FORMA ALGUMA desmerecendo a nossa vitória. O mérito foi do São Paulo SIM e, principalmente, da torcida que lotou o Morumbi mesmo com a noite fria que tivemos em São Paulo (a mais fria do ano até então).

Meu objetivo com esta coluna é colocar novamente os pés no chão. O São Paulo é um time copeiro, tem a camisa que entorta varal e é um dos times mais clássicos em Libertadores (como inclusive disse recentemente o Riquelme). Porém agora vamos aos “MAS”.

michel bastos

Vi no Twitter, após o jogo, inúmeras pessoas no melhor estilo “O Campeão voltou”, dizendo que essa teria sido a partida que levaria o São Paulo ao tetra, que agora tínhamos recuperado o espírito da Liberta e que seria difícil parar este time.

CALMA.

Apesar de ter sido mesmo a partida mais consistente do São Paulo no ano até aqui, acho MUITO precoce falar isso. E o motivo é simples: o São Paulo dos últimos 2 anos é um time extremamente inconstante. Neste Paulistão foi o time mais irregular. Ou seja, não podemos tirar nenhuma conclusão tendo como base uma única partida boa (ou a segunda, se formos colocar aí a goleada contra o Trujillanos) numa sequência de jogos ruins e até vexatórios.

Outro fator que entra nesta conta é a pausa na Copa Libertadores de meados de maio até o início de julho por causa da Copa América. Assim sendo, teremos um hiato de pelo menos 1 mês e meio entre as quartas-de-final e a semifinal. Essa falta de continuidade na competição é sempre preocupante, especialmente para um time tão inconstante como o São Paulo.

Eu estou especialmente ansiosa pelo próximo jogo, na próxima quarta-feira. Estou curiosa pra ver qual será o comportamento do time. Vão repetir a apresentação consistente que fizeram no Morumbi? Eu creio que não. E aí entram os questionamentos. Por que não? Por causa da altitude de 2600 metros? Pelo fato de estarmos muito próximos da vaga com os 4 a 0 que metemos aqui? Ou será que não manteremos o padrão da boa apresentação que fizemos aqui simplesmente porque o time não consegue fazer dois bons jogos na sequência?

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Opinem! Deixem seus comentários. O que esperam do São Paulo daqui para a frente na Copa Libertadores?

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Lembranças de uma garotinha de 11 anos

Boa noite, Tricolores

Em meio a tantos jogos decisivos que o São Paulo fez e fará nos próximos dias, decidi abordar um assunto mais leve e, sem dúvidas, mais agradável.

Nesta semana que passou me senti um tanto quanto saudosa do tempo em que nosso amado São Paulo jogava um futebol redondo e classudo. Da época em que, segundo Milton Neves, “torcer para o SPFC era uma grande moleza”. Pra quem não se lembra, essa frase, lá nos idos tempos da década de 1990, virou um adesivo que muitos sãopaulinos ostentavam em seus carros.

Decidi então, dar asas a essa saudade, remexer o baú de lembranças e usar este espaço pra contar a vocês sobre a partida mais inesquecível da minha vida: trata-se da final do Mundial Interclubes de 1992.

Duvido que durante os próximos anos ainda haja uma partida tão inesquecível e que deixará lembranças tão vivas. Em parte porque nunca mais terei 11 anos e acredito que nessa fase muitas crianças criam em suas mentes lugares especiais para lembranças marcantes. Mas também porque, infelizmente, o futebol de hoje em dia (e não falo apenas do São Paulo), o dito “futebol moderno”, dificulta o surgimento de jogadores especialistas. (Quando foi a última vez que vimos surgir um meia no melhor estilo Raí?)

tele1

Vamos à partida: 12 de dezembro de 1992 e eu, com 11 anos, me recusava a ir dormir. Como a partida entre São Paulo e Barcelona seria de madrugada (na época o jogo era disputado no Japão), queria ficar acordada direto porque temia que ninguém me acordasse no horário. Mas não teve acordo com o meu pai. Me colocou na cama e disse que me acordaria para ver o jogo. Talvez ele ainda ache que eu dormi. Nem por um minuto eu preguei os olhos. A ansiedade não deixava e o tempo, rigorosamente controlado no visorzinho iluminado do relógio digital, teimava em não passar. No horário combinado, lá foi o meu pai, como um zumbi, me “acordar”.

A partida começou e ele capotou no tapete da sala. Eu nem piscava. O Barcelona abriu o placar no início do jogo e deixou tudo mais difícil. Pra quem não se lembra, o Barcelona daquela época era considerado imbatível, muito mais que o Barça de hoje em dia. Felizmente ainda na primeira etapa de jogo, Raí marcou o seu segundo gol mais inesquecível pra mim, aquele de barriga. Jogo empatado e o segundo tempo prometia muito nervosismo.

E assim foi até os 34 minutos da etapa final quando, naquela cobrança de falta ensaiada entre Raí e Cafu, veio o golaço. Raí colocou a bola caprichosamente no ângulo superior direito de Zubizarreta (este sim, o meu primeiro colocado na categoria “gols inesquecíveis de Raí”). E aí, nesse momento, veio a cena mais emblemática da partida pra mim: Raí correndo para o banco para abraçar o Telê, sorrindo enquanto mascava chiclete (foi a primeira vez que vi Telê sorrir e é assim que me lembro dele sempre: sorrindo e mascando chiclete).

Os últimos minutos da partida foram embalados pelo tradicional “Ai ai aiai, tá chegando a hora…”  e o apito final decretou a invasão sãopaulina no Estádio Olímpico.

Foi a primeira vez que o São Paulo me fez chorar. Outras tantas vieram depois…

Deixem seus comentários sobre o texto, opiniões, seus jogos inesquecíveis também…

PS1: A título de curiosidade, tenho um TOP 3 gols inesquecíveis do Raí. Os dois primeiros foram os do Mundial de 1992. O terceiro foi em seu retorno da França, final do Paulistão de 1998, o primeiro gol da partida, de cabeça, destruindo o Corinthians.

PS2: Minha coluna passará a ser publicada todos os sábados e não mais às quartas-feiras. Conto com a leitura de vocês! E não deixem de participar deixando seus comentários também.

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