O Avião No Rumo Certo

Opa, São-Paulinos de fé, tricolores de alma, sangue e coração, não é que já estava com saudades de vocês. Agradeço demais a recepção dos meus textos, ideias e postura. A repercussão da minha última coluna foi enorme, repercutindo inclusive em blogs, grupos importantes e dentro do nosso amado São Paulo Futebol Clube.

Essa repercussão positiva possibilitou-me ser convidado para ir ao CCT da Lapa (para muitos Barra Funda) ouvir e discutir (no melhor sentido da palavra) sobre a gestão do futebol do Clube. Estavam, além de mim, Daniel Perrone, o Bandana, o Ricardo Leite e o Vinicius Ramalho. Fomos muito bem recebidos pela Juliana Poggi, Juca Pacheco e Gustavo Vieira de Oliveira, nosso diretor executivo de futebol. Participou também do debate o figuraça do Luciano Chuquer.

Vou tentar passar pra vocês, em linhas gerais, o que entendi desse encontro e de como funciona a estrutura do futebol do São Paulo e as mudanças então promovidas.

Gustavo, quando foi convidado pelo Leco para assumir a posição de Diretor Executivo de Futebol do clube, apresentou-lhe um plano de trabalho baseado em alguns pilares, dentre eles, os mais importantes são:

  • Fortalecimento do Coletivo
  • Fortalecimento e Integração da base
  • Comunicação Total
  • Estabelecimento de um sistema organizado de jogo
  • Departamento consolidador de todas as informações dos atletas
  • Comissão técnica fixa

Vou discorrer um pouco e contextualizar um pouco sobre eles:

  • Fortalecimento do Coletivo: Quebra uma política centralizadora de poder, histórica durante bom tempo no clube. Permite decisões compartilhadas, opiniões diferentes, debates para o risco de uma decisão equivocada diminua.
  • Fortalecimento e Integração da base: à Aos que não sabem, há ainda uma diferença de R$ 60.000.000,00 por ano em contratos de contratos com a televisão (essa diferença cairá a partir do próximo contrato) e, para o clube, o caminho para tirar essa diferença são jogadores formados em casa. Hoje, duas vezes por semana, os atletas de Cotia treinam na Lapa. Não há mais rivalidade entre o grupo de Cotia e o da Barra Funda. Ocorre também de o time profissional treinar em Cotia, mais esporadicamente. A intenção é ambientar os atletas que chegarão de Cotia ao ambiente do CT. Uma revisão importantíssima de uma decisão equivocada do passado foi corrigida pelo Gustavo: qualquer jogador que saísse de Cotia, rumo ao profissional, recebia luvas de R$ 300.000,00 e um salário de R$ 40.000,00 com 5 anos de contrato. Fazendo as contas: O São Paulo se compromissava com um atleta, independente da sua utilização ou não, com R$ 2.700.000,00 (sem incluir correções) gastos em 5 anos. Gustavo mudou radicalmente isso, desde o início do ano as condições são: Zero reais pagos de luvas, salários que variam de 7 a R$ 10.000,00 e cinco anos de contrato. Calculando pelo salário médio (R$ 8.500,00) temos: R$ 510.000,00 pelos 5 anos de contrato. Só essa decisão gerou ao clube uma economia, por atleta de R$ 2.190.000,00. Calcula-se que em um ano, a economia gerada é de R$ 40.000.000,00. Além dessa economia direta, caso o jogador não dê certo, ele pode ser emprestado para times da série B que conseguem pagar 100% dos vencimentos do atleta. Além de diminuir os custos, amplia-se o mercado do jogador. Outro fator importante, que com o mercado da série B aberto, o jogador pode desempenhar melhor em um ambiente de menor pressão e “estourar” um pouco mais tarde, com 22 anos, por exemplo, sendo reabsorvido pelo São Paulo. Importante ressaltar que, caso o jogador que foi absorvido pelo time principal, jogue 10 vezes no ano, ele tem um gatilho de R$ 10.000,00 no seu salário. Caso jogue 20 vezes, recebe mais um gatilho de R$ 10.000,00. Percebam que o conceito de meritocracia foi instalado, tendo agora que o garoto que vem de Cotia (antes chamado de Resort) vai ter que ralar e desempenhar para ganhar melhor, antes, garantido independente do rendimento.
  • Comunicação Total: As mensagens que devem ser passadas, principalmente aos atletas, são realizadas por todos que interagem com eles. A intenção é firmar a importância das informações e garantir a recepção das mesmas.
  • Estabelecimento de um sistema organizado de jogo: Está aqui mais uma decisão fundamental que influencia toda a cadeia de formação do atleta. A intenção aqui é estabelecer o “Modo São Paulo de jogar”, guardadas as devidas proporções, mas vale como exemplo, é o que faz o Barcelona. Isso facilitará a formação do atleta, que será preparado, desde cedo a realizar funções que são executadas no futebol profissional. O ambiente passa a ser “padronizado” e ninguém mais cairá de paraquedas no CCT da Lapa.
  • Departamento consolidador de todas as informações dos atletas: Essa coordenação é responsável por consolidar as informações dos atletas, sejam elas físicas, médicas, fisiológicas, fisioterápicas, indicadores de desempenho (passes certos, chutes certos, quilômetros percorridos, passes errados, roubadas de bola, massa musculas, percentual de gordura, risco de lesão, etc, etc e etc). O São Paulo entrevistou 15 profissionais para escolher o seu preferido, no caso Renê Weber. Renê é o chefe do Bauza. É para ele que Paton responde, mas mais do que isso é Renê quem municia Paton de informações para que ele tome todas as suas decisões, sem qualquer tipo de interferência.
  • Comissão técnica fixa: Retomada e fortalecimento de um conceito já utilizado em outrora com funcionários pertencendo ao clube e sendo mantido, independente da mudança de treinador. A intenção aqui é guardar e resguardar as informações, histórico, etc. Aqui entra Pintado, que responde para o Paton e também presta conta, matricialmente, ao Renê. Pintado interage com os atletas, faz trabalhos individuais, municiado também pelas informações levantadas pela coordenação técnica. É instruído a agir também pelo Paton, coopera com ele no dia e atua seguindo e segundo suas necessidades.

Montei um organograma, da minha cabeça, daquilo que entendi, funcionar o departamento de futebol do São Paulo Futebol Clube. Não é o desenho oficial, longe disso. É um esboço que tracei da estrutura a mim descrita.

Organograma

A intenção do São Paulo com esse modelo de gestão é não depender de técnicos medalhões, aqueles que custam muito caro e que querem tomar conta de tudo. Esse projeto foi apresentado ao Paton, para que o mesmo entendesse o contexto no qual ele seria colocado e se ele estaria disposto a se encaixar nesse modelo. Ainda bem que Paton decidiu positivamente, já, para mim, para que esse modelo fosse implantado, a figura de Edgardo Bauza seria fundamental, exatamente por sua organização tática. A intenção do São Paulo é ter sempre o controle em suas mãos, inclusive do vestiário. É respaldar ao máximo o técnico com o máximo de informações e deixa-lo trabalhar. Entendo que estamos no caminho certo.

Negociação do Maicon

A história é longa, mas durante quase 60 dias Gustavo trabalhou arduamente para transformar o São Paulo no único comprador possível do jogador. Durante esse tempo foi duas vezes a Portugal e voltou as duas sem abrir qualquer tipo de negociação pois a mensagem do Porto foi clara: Queremos o jogador de volta. Gustavo entendeu que se abrisse a negociação naquele momento demonstraria ao clube Português que queria demais o jogar e encareceria o negócio. O Porto, por algumas vezes, blefou em termos de propostas, estando Gustavo municiado de informações, e sangue frio para não demonstrar interesse, refutado qualquer aceite em blefe. A história curiosa fica para a terceira ida de Gustavo para Portugal, essa que culminou com a contratação do nosso zagueiraço. O jogador que os Portugueses queriam era David Neres, e, esse, em hipótese alguma, seria cedido pelo tricolor. Em um momento da conversa, com a insistência dos Portugueses por Neres, Gustavo chegou a bater na mesa e levantar a mão para pedir a conta do jantar e encerrar o negócio. Pela reação corporal dos Portugueses, Gustavo, ainda com a mão levantada, pediu só uma água e continuou o negócio. Contratar um jogador é uma arte, assim definiu Gustavo. Ainda mais com recursos escassos. Gustavo, então, é um artista…

Ganso

Paulo Henrique Ganso nunca negou seu desejo de jogar na Europa. Aliás, na sua carreira esse deveria ser o percurso natural. Ciente do interesse do Sevilla, dirigido por ninguém mais que Sampaolli, Ganso sinalizou ao clube, que em sendo um negócio bom para todos, gostaria de realizar seu sonho. Ganso não força a barra para ir embora, ao contrário, se dedica ao máximo para o seu tratamento, pois quer ganhar a Libertadores para o tricolor. Vai com Tudo, Maestro! As duas coisas te esperam, a Libertadores e a Europa.

Jogo de Hoje – Semifinal da Libertadores da América

Você que vai ao Morumbi hoje, leve o seu melhor. Vá com sua melhor energia. Vá para ser o melhor jogador do time. Vá com os pulmões limpos, vá entorpecido de São Paulo Futebol Clube. Carregue consigo o Rogério Ceni, o Gol Do Raí contra o Barcelona, o Gol do Muller contra o Milan, o Gol do Mineiro contra o Liverpool. Leve com você, cravado na sua alma, a história do clube, da camisa mais pesada do futebol brasileiro, aquela que entorta varal, que faz o adversário tremer. Transforme-se no maior megafone possível, numa caixa de som, que só propagará vibrações positivas. Vá e jogue junto, são-paulino. A diferença hoje é você quem vai fazer.

É isso, tricolor. Espero que tenham gostado. Há mudanças importantes no clube, para melhor, sem dúvida. Erros acontecem e acontecerão. O importante é trabalhar certo para que o errado ocorra cada vez menos vezes. Quero sua opinião, aliás, faço questão dela. Vamos debater. Uma tema como esse gera muitas perguntas e gostaria de saber se posso respondê-las. Siga-me lá no twitter, você é muito bem-vindo. Meu Twitter? @guna004

Um beijo para as meninas e um abraço para os rapazes.

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Calma, Não Foi Tão Grave Assim…

Não era previsto que eu escrevesse algo por esses dias, mas acontecimentos recentes com o nosso Tricolor, me fizeram vir a público para tentar esclarecer a saída do Sr. Luiz Cunha da diretoria de Futebol do São Paulo Futebol Clube.

Antes de entrar no assunto, queria agradecer imensamente repercussão da minha última coluna. Fico impressionado com tamanho carinho que recebo. As críticas são bem-vindas, de maneira respeitosa recebo todas, de bom grado, sempre as levando em consideração para melhorar.

SEM (N)MOÇÃO DE DESCONFIANÇA

Sem querer causar suspense, queria tocar no assunto da Moção de Desconfiança que alguns conselheiros moveram contra o presidente Leco. Embora seja um direito deles fazer tal moção, pergunto qual seria o grande objetivo dela? Acompanhando os que concordam com tal ação no Twitter e lendo todas as matérias a respeito concluí que o grande objetivo da Moção de Desconfiança era atingir Ataíde Gil Guerreiro, nada contra Leco. Ué, mas se o alvo era Ataíde, por que citar, tanto tempo depois, o Rodrigo Gaspar, assessor especial do presidente? Por que citar, ou melhor, contestar, se o alvo era Ataíde, posições tomadas por Leco em relação ao julgamento de Ataíde e Aidar por parte do Conselho Deliberativo, pós conclusão do Conselho de Ética?

Indo um pouco além no assunto: Qual a finalidade da Moção de Desconfiança? Faço essa pergunta já que não há “crime de responsabilidade” do presidente Carlos Augusto Barros e Silva em não aceitar o pedido de demissão de Ataíde Gil Guerreiro. O estatuto do clube permite que não conselheiros sejam diretores. Vinicius Pinotti é diretor de Marketing do Clube (aliás, faço absoluta questão de deixar meus parabéns a ele e equipe pelas conquistas recentes de vários patrocínios ao clube) e não é conselheiro. Portanto, não há ilegalidade no contexto, o que faz da Moção algo absolutamente inócuo e sem propósito prático, o que pode se levar a crer que o único objetivo do feito era realmente tumultuar o ambiente, sendo assim nada mais do que político.

Para deixar bem claro, até porque percebi alguma dificuldade de alguns em interpretar isso, eu, Daniel Castello Branco Augusto, vulgo Guna, teria acatado o pedido de demissão de Ataíde Gil Guerreiro. Eu, na figura de presidente do clube, não teria demovido Ataíde de sua decisão. Contudo, o que Leco fez é legal, baseado no estatuto do clube.

Sou absolutamente favorável a toda e qualquer investigação dentro do São Paulo Futebol Clube, seja contra quem for. Contudo, nem isso pode ser usado em relação a essa Moção. O que investiga a Moção? O que a Moção quer passar a limpo? No meu ponto de vista, um ato sem propósito, inócuo, repito, com fundamentação errada e absolutamente fora de tempo, já que o clube vem resgatando credibilidade, conquistando novos investidores e, no futebol, está a menos de um mês de uma semifinal de Libertadores da América.

Querem melhorar o clube, tomar um ação útil e cabível? Lutem pela modernização do estatuto, pela profissionalização da gestão do clube. Um estatuto adequado e atualizado, certamente, não permitiria que o presidente pudesse ter um diretor expulso do conselho deliberativo.

CASO LUIZ CUNHA

É notório que Luiz Cunha fez bem ao departamento de futebol do São Paulo Futebol Clube. Visivelmente sua chegada mudou o ambiente da bola. Luiz adotou método holístico, o qual defende a análise do todo pelas partes. Foram 15 conversas individuais, tomadas importantes de decisão, elevação da moral dos atletas, maior respaldo para Bauza trabalhar. Com isso resgatou jogadores como Michel Bastos, Wesley, Hudson, Tiago Mendes. Jogadores esses que muitos queriam fora do clube. Além disso, percebe-se um maior aproveitamento dos “meninos da base”: Lucas Fernandes, Banguelê, Auro, Luís Araujo, Mateus Reis apareceram com mais frequência nos jogos.

O São Paulo se recuperou na Libertadores e faz início muito bom no Brasileiro. São 10 pontos conquistados, dos quais 7 fora de casa. O São Paulo é o único time da competição que atuou 4 vezes fora do seus mandos. Há méritos de muitos aqui, na minha cabeça, o maior responsável por isso chama-se Patón Bauza, mas é inegável que Cunha tenha participação nisso.

Acontece que Cunha tinha suas convicções, dentre elas, a preferência por uma comissão técnica vinda de Cotia, sem tanta necessidade da figura do Renê Weber. Para quem não conhece Rene, nem o que faz, coloco o link abaixo para elucidar:

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/sao-paulo/noticia/2016/01/rene-weber-comeca-trabalho-no-sao-paulo-com-missao-de-mudar-o-futebol.html

Não estou dizendo que Cunha não queria Bauza, longe disso, mas talvez só quisesse Bauza. Além de não enxergar necessidade na presença de Renê, Cunha teria a preferência de trabalhar sem o Diretor Executivo Gustavo Vieira, sem necessariamente ter tido algum atrito com ele. Cunha também não teria gostado da vinda de Pintado para substituir Milton Cruz, inclusive, ao que parece, teria dito isso em sua entrevista concedida ontem na FOX Sports.

A contratação de Cueva teria causado desconforto em Cunha, já que a prioridade seria fechar a contratação de Maicon. Vale ressaltar que o peruano Cueva foi indicação do treinador da Seleção Peruana, o também argentino Gareca. Ele teria indicado o atleta a Bauza que gostou e concordou com a tentativa de sua contratação. Com o aval do presidente Leco e do treinador, Gustavo foi fazer o negócio.

A permanência ou não de Maicon nada tem a ver com a chegada de Cueva. É e sempre foi uma negociação extremamente complicada, conforme a gente vem dizendo no Twitter. O jogador se valorizou demais no São Paulo, obviamente por suas ótimas atuações, e despertou interesse de times Europeus. O portal UOL tratou do caso hoje: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2016/06/08/europeus-procuram-porto-por-maicon-e-dificultam-permanencia-no-sao-paulo.htm O Porto, por fama, é muito bom negociador, exige alta contra partida financeira para liberar o zagueiro.

Entendo que o ambiente do futebol do São Paulo, com a melhora que teve, está consolidado e não acredito que a saída de Cunha mexa com isso. Os atletas gostavam dele, tinham muito respeito por ele, mas cada um na sua posição. O São Paulo não teria sua classificação garantida nas semifinais da Libertadores se Cunha não saísse e, caso seja eliminado, isso não se dará porque Cunha saiu.

A saída não trouxe traumas, Leco e Luiz Cunha se dão bem. O que teria acontecido é que Cunha teria uma avaliação diferente do departamento de futebol do clube. Queria algumas mudanças, que não foram vistas como necessárias para o momento. Ressalto que houve sim sinais de modernização no Futebol do clube. O setor de análises de performance e estatística é um desses sinais. Ytalo, por exemplo, foi contratado com base nesses estudos. A diferença de pensamento para a gestão desse departamento causou sua saída, repito, sem crise, sem trauma, entendo, pela maturidade hoje do elenco e comissão técnica, sem deixar sequelas.

O que não pode acontecer, em hipótese alguma, é a tentativa de se criar uma crise em cima desse assunto. CRISE ZERO. Não há. Fiquem de olho.

Espero ter contribuído para elucidar o assunto. Vi a necessidade de tentar esclarecer já que, por questões de interesse político, esse assunto poderia gerar turbulências desnecessárias ao clube, em um momento decisivo, no qual a calmaria só ajuda.

Vamos debater? Com respeito, todos são bem-vindos. Sigam-me no Twitter: @guna004

Esperança em Três Cores

Queria agradecer muito pela repercussão do meu primeiro texto aqui no IstoÉSPFC. Foram inúmeras visitas ao site, comentários no meu Twitter, algumas discussões em grupos de Whatsapp. Fico muito feliz que o texto tenha despertado em você algum tipo de reação, seja favorável ou não. Meu grande objetivo é contribuir para que seu pensamento seja formado, conhecendo todos os lados da moeda.

Muitas coisas aconteceram de lá pra cá, não é mesmo? E, incomum ao que vinha rolando no clube, mais coisas positivas do que negativas. A melhor delas: SOMOS SEMIFINALISTAS DA AMÉRICA PELA DÉCIMA VEZ!!! Orgulhe-se torcedor tricolor. É um grande feito, ainda mais depois de superar um bom time Mexicano, o Toluca, com uma atuação de gala no infernal Morumbi e, depois disso, contrariando a grande maioria das projeções, passando por um fortíssimo Atlético Mineiro em pleno Horto.

Vou picar os assuntos em subitens, ok?

Quartas de Final – Teste para Cardíacos, Amigo.

Que quartas de final, ein? O primeiro embate foi, digamos, pouco empolgante, apesar de um lindíssimo Morumbi, lotado, com uma energia incrível. O Morumbi tem se mostrado o grande diferencial são-paulino. As mais de 60.000 vozes carregam o time, tornam os jogadores maiores, com muito mais vontades, incansáveis. Um jogo pegado, truncado, de poucas chances de gol, mas com um São Paulo melhor. As poucas chances que ocorreram foram do lado Tricolor. Denis não fez defesas, apenas um susto em um gol bem anulado de Lucas Pratto. O Tricolor rondou mais as traves do Vitor. Uma cabeceada raspando do Calleri, em outro lance, Hudson, por centímetros não faz o gol em bola desviada por Ganso de cabeça. Quando o jogo caminhava para o zero a zero, o contestado Wesley, que faz um ano muito bom e entrou bem demais nesse jogo, sofre falta. Ele mesmo, perfeitamente, cobra, para um jogador desviar de cabeça e explodir o Templo Sacrossanto. Um jogador que era dito como carta fora do baralho. Um jogador execrado por muitos, descartado. Um jogador, ainda bem, sabiamente isolado, e em um belíssimo planejamento da diretoria tricolor, recuperado, pouco a pouco, e mesmo contundido, entrou no segundo tempo daquele jogo, para desviar a bola de cabeça e contribuir demais para a classificação tricolor: Michel Bastos.

O Lance do gol retrata bem como o futebol deve ser tratado: Conscientemente. Por emoção, talvez o batedor e cabeceador lá não estariam mais. Ainda bem que a razão prevaleceu.

O segundo jogo, ao contrário do primeiro, eletrizante. Em 14 minutos 3 gols, dois do adversário e um do Tricolor. Dele, que talvez mais merecesse o tento: Maicon. Que zagueiro temos em casa, amigos. Garra, técnica, vontade de vencer, compromisso. Bela e grata surpresa, desconhecido por nós, ainda bem, não pelo Gustavo, que, surpreendentemente, além de trazê-lo tirou-o exatamente do rival Atlético Mineiro. Cartada de mestre. Quase 100 minutos de taquicardia, tensão absurda, emoção a flor da pele. Contra um sonoro “Eu Acredito”, o clube da Fé. E não há nada mais forte que a fé de um São-Paulino. Passamos, merecidamente. 

Bauza

Talvez o maior acerto do Gustavo. Vale lembrar que nosso executivo trouxe, além do treinador, Mena, Lugano, Kelvin, Calleri e Maicon (Kieza também). Todos, sem exceção, de enorme importância para o elenco. Temos 4 titulares e um jogador que transcende as quatro linhas.

Bauza me impressiona. Não só por ter o time e o elenco nas mãos, coisa dificílima em tempos recentes. Não só por ter dado um padrão de jogo ao time, independente de quem atue. Não só por ter trazido de volta um incrível Paulo Henrique Ganso. Não só por não se alterar, por não perder o foco, por ser um cara centrado. Bauza, me parece, sabe o que vai acontecer. Bauza deu ao time, ao grupo, um sentimento são-paulino. Bauza deu consciência, não só tática, mas individual também aos jogadores. Quem acreditaria que, ano passado, ou em qualquer ano anterior, o time fosse reagir tão bem a dois gols tomados fora de casa em jogo decisivo? Bauza trabalhou todas as hipóteses para o jogo no Horto. Sair ganhando, perdendo de um ou de dois. Bauza traz a arquibancada para dentro das 4 linhas. Bauza agiganta seus jogadores. Bauza fez transcender um sentimento tricolor que uniu Presidência, Diretoria, Funcionários, Elenco e Torcida, todos juntos, dentro de um Morumbi imbatível. O treinador merecer todos os méritos.

Leco

O presidente surpreende positivamente até aqui. Tomou conta do São Paulo Futebol Clube. No seu estilo, pouco centralizador, de diálogo, de dividir responsabilidades, mas de se impor quando necessário. Bela entrevista ontem (24/05/2016) no Bola Da Vez da ESPN. Fico com a impressão que o São Paulo vai achando seu caminho novamente, aos poucos, sabendo o que é prioridade para a situação que o clube enfrenta. Leco fez suas mudanças, rompeu com o Sr. Abílio Diniz, demitiu o CEO (esse era um assunto a ser melhor explicado na entrevista), opinou incisivamente sobre as punições de Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro, demitiu Milton Cruz, trocou Ataíde de cadeira, Trouxe Luís Cunha, Pintado, definiu claramente as funções de cada um, além da de Gustavo, agora respaldado e com a confiança necessária. Recebe a oposição, discute os assuntos, aparentemente pondo o São Paulo em primeiro lugar. Claro que comente seus erros. Política é complicado, acomodações se fazem necessárias ainda mais em um clube que o ego das pessoas é tão inflado.

Futuro

Que a gente siga sem nenhum favoritismo. Que a gente siga sendo o azarão, o pior brasileiro da Libertadores, eliminado na primeira fase, depois nas oitavas, depois nas quartas. Tenho convicção que seguiremos um time aguerrido, que devolverá sempre na mesma moeda o que receber do adversário, um time que não abaixa a cabeça, que luta, que se impõe e que se preciso, morrerá em campo. Um time que para ser batido terá tirado sangue e suor do adversário. Um time que honrará a história e a tradição do São Paulo

Nosso adversário nas semi, o Atlético (mais um) Nacional da Colombia, ex time do Profe Osório, apesar de ter uma perspectiva de perder jogadores é muito forte e sim é o favorito. Precisamos do Morumbi como nunca. Precisamos do primeiro jogo demais. Precisamos de cada um de você, torcedor. 66.000 nas arquibancadas, 18 milhões espalhados pelo Brasil, com toda a enérgica focada e direcionada ao Morumbi. Alías, aqui vai uma dica: se você pretende ir ao jogo e não é sócio torcedor, vire agora. Termine de ler o texto e se associe. Não sobrará ingressos para quem não for sócio. A venda esgotará antes de ser aberta ao torcedor não sócio. Não bobeie.

Estreamos bem no campeonato brasileiro ganhando fora de casa do Botafogo. Depois, perdemos no Morumbi, embora não merecermos a derrota. Hoje temos um jogo difícil contra o Coritiba, fora de casa, com um time diferente, mas que me inspira toda confiança. Bauza acerta de novo em poupar e curar os jogadores combalidos. Há clássico no final de semana e, no frigir dos ovos, o jogo que importa, e o da semifinal da Libertadores.

Reforços e Negociações

Imagino a cabeça do Gustavo nesse momento. Aliás, como vibrou nosso executivo com a classificação na Libertadores, ein? Não é segredo que nos conhecemos. Troquei mensagens com ele logo depois do jogo, ele lá no vestiário do Independência, respondeu meus parabéns falando em amor e carinho pelo Tricolor. E pensar que teve gente que divulgou que ele era Corinthiano… Que vergonha, viu.

Gustavo tem que manter Maicon, em uma negociação dificílima. Maicon se identificou com o São Paulo, mas, com suas atuações e postura, se valorizou. O Clube possui situação financeira difícil, e, vejo com acerto, não querer abrir mão totalmente de “jovens minas de ouro”. O jogador quer ficar e sabemos que isso pesa muito em negociações no futebol. O Porto, seu clube, joga muito duro. Há que se ter muita paciência para acertar todos os movimentos nessa negociação que será um jogo de xadrez.

Além disso, o time precisa de mais um zagueiro, com qualidade para jogar. Há a necessidade de repor Calleri, caso ele vá embora. Um lateral, direito, seria bem-vindo. Um volante marcador também. Será que teremos um tricolor diferente nas semifinais da Libertadores? Será que chega um “Amoroso” da vez? Gustavo vive o São Paulo, trabalha demais pelo clube. Montou o time desse ano sem, praticamente, por a mão no bolso. Se eu tivesse que apostar, apostaria em um tricolor reforçado para o decorrer do ano.

É isso gente, eram muitos assuntos e tentei discorrer sobre todos eles. Quero a opinião de vocês. É o que mais importa para mim. Vamos debater, sigam-me no Twitter e expressem sua opinião. Meu twitter é o @guna004. Vamos em frente com essa grande vibração, gente. Muito obrigado a todos. Beijos nas meninas e abraços nos rapazes.

 

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Estreia

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Estreia

Não é fácil estrear, ainda mais em um veículo tão importante da mídia são-paulina como é o IstoéSPFC. Fiquei muito feliz de me juntar a esse timaço de tricolores, tão bem sucedidos em seus textos e suas opiniões. Isso aumenta minha responsabilidade. O que posso garantir é que terão de mim lealdade, todo respeito possível, e jamais uma imposição de pensamento, meu grande objetivo aqui é ajudar na construção da sua opinião, afinal, o que importa aqui são vocês, são-paulinos.

Ressalto que não represento ninguém do São Paulo Futebol Clube, não sou sócio da instituição, sou sim Sócio Torcedor, desde 2004, aliás, você também deveria ser, sou meramente um torcedor, que não possui rabo preso, com a liberdade de escrever o que eu bem entender, obviamente, respondendo por isso.

Antes de começar, mais uma vez queria agradecer demais as centenas de manifestações que recebi pela minha saída do #OpiniãoTricolor. Jamais imaginei receber tanto carinho de tanta gente. A bancada do programa está engrandecida com a chegada do Aurélio. Que ele tenha todo sucesso que merecer. A vida segue, e é exatamente assim que tem que ser.

Aidar, Leco e Ataíde

Há tempo venho escrevendo em meu Twitter (@guna004) que havia um movimento velado para se tentar salvar a pele do presidente renunciante. E, infelizmente, eu estava certo. Contudo, pelas denuncias feitas contra o mesmo, pela clara gravação que Ataíde tornou pública, era impossível salvar Carlos Miguel. O que fizeram? Colocaram Ataíde no mesmo balaio.

Não vi justiça alguma nessa ação. Aidar foi bem expulso do conselho, aliás, dever-se-ia ser do clube também. Suas atitudes como presidente do clube foram repugnantes, pela gravação divulgada, era réu confesso, sua punição ficou de bom tamanho. Aidar rasgou uma dinastia.

Ataíde foi expulso por questões pessoais, não há outra razão plausível, já que há duvidas se ele agrediu o ex-presidente. Tentativa de homicídio? Isso é piada, né? Entendo todas as pessoas que não gostam do Ataíde – ele dá razão pra isso: fala demais, fala o que não deve, reage de maneira inadequada a algumas situações. Isso é compreensível. Agora, o que eu não entendo é como as pessoas possuem dificuldade para entenderem que Ataíde fez um bem enorme ao clube ao tirar Aidar do poder. Se não fosse Ataíde, Aidar estaria até hoje no clube, e as consequências disso seriam as piores possíveis. Uma coisa que também tenho dificuldade de entender é porque o movimento Fora Ataíde foi tão grande e o de Fora Aidar tão diminuto. Fiquei esperando esse “tuitaço” e ele não veio…

Ataíde entregou seu cargo logo na sequencia de sua sentença. Contudo, o presidente Leco, sabendo do caráter político da exclusão do conselho do seu então diretor de relações institucionais, como num jogo de xadrez, não aceitou o pedido de demissão de Ataíde. Sem mexer as peças no seu tabuleiro, Leco, protegeu seu reinado, e escancaradamente atingiu duas figuras importantes na política do clube: O Sr. Ópice Blum, declarado candidato a presidência do clube nas próximas eleições e o Sr. Abílio Diniz, público desafeto do nosso presidente. Vale aqui um comentário: O Sr. Abílio foi chamado de Vossa Excelência por certo conselheiro e, depois, talvez pela intimidade desenvolvida na reunião, de “Abilião”.

Leco mostrou pulso firme e coragem. Aumentou seu risco de impopularidade com essa decisão. O conveniente era aceitar a saída de Ataíde e seguir em frente. Concordando ou não com ele é inegável que temos um presidente de personalidade.

Personalidade essa demonstrada nas mudanças do futebol, com as saídas de Ataíde, Milton Cruz e Roberto Moreno. Não só isso, com a chegada de Cunha, até então diretor das categorias de base.

Futebol

Leco mexeu muito no futebol, manteve somente Gustavo dos antigos nomes. Cunha chegou chegando, mostrando vontade de trabalhar, aparecendo pouco e produzindo muito. Quinze atletas, isso mesmo, quase metade do elenco do São Paulo Futebol Clube tiveram conversas individuais com o novo diretor. Dentre eles, Michel Bastos. O clube foi muito bem no caso Michel. Individualizou a questão, respaldou o atleta, deu confiança, tirou-o dos holofotes e hoje, aqueles que pediam a sua saída, aplaudem e gritam seus gols. O ponto mais positivo no quesito futebol é que, me parece, cada um sabe o que tem que fazer, o que antes era uma bagunça, hoje está organizado. Ataíde, Moreno e Gustavo viviam batendo cabeças, sem saber ao certo o que cada um fazia. Fico com a impressão que isso acabou, Gustavo zela pelas negociações e Cunha cuida do dia a dia do futebol.

Futebol, aliás, que vem crescendo em campo. Com mais tempo para trabalhar o Bom Bauza vem mostrando um trabalho consistente. Pragmático treinador, convicto de seus conceitos, bicampeão da América, vem dando cara ao time. Time vibrante, brigador, guerreiro, tático, aguerrido. O time do São Paulo começa a dar pinta de que quer algo mais esse ano. Fez boa partida contra o River na Argentina, muito boa contra o mesmo River no Morumbi, subiu a montanha e arrancou a classificação na Libertadores de forma heroica na Bolívia e massacrou o bom Toluca no Morumbi. Bauza resgatou um monstro chamado Paulo Henrique Ganso. Temos um craque no time que, hoje, honra essa nomenclatura.

Espero que hoje o São Paulo ignore o elástico placar construído no Morumbi. Espero que o time dedique como se realmente precisasse do placar para seguir na competição. É fundamental manter o ritmo e confiança adquiridos. Não podemos ter oba-oba, já classificou e coisa e tal. O futebol é traiçoeiro e não permite menosprezo.

Imprensa

Se um treinador vai mal, a imprensa o execra até que ele seja demitido. Se um jogador vai mal, a imprensa o persegue até ele ir para a reserva. Se um juiz apita mal, a imprensa fala mal dele até ele ir para a geladeira.

Pergunto: O que acontece com os jornalistas que constantemente erram crassamente em seus veículos de comunicação? O que acontece com aqueles jornalistas que falam em um dia que o São Paulo vai perder para o Toluca e no outro falam que o Tricolor será tetracampeão da América? O que acontece com o jornalista que diz que o São Paulo é zebra contra o Toluca? O que acontece com o jornalista que, mesmo com uma vitória esmagadora do Tricolor, em seu site, traz uma manchete negativa sobre o time?

É isso aí, amigos tricolores. Estou aberto ao debate, sempre respeitoso. Concordam com o texto? Discordam? Sigam-me no twitter, @guna004, vamos debater!

Mês que vem volto com mais um texto.

Muito obrigado!

Saudações Tricolores!

Guna

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