E os pássaros ainda cantam

chapecoense-luto-d161129

A varanda está fresca, embora o sol queime lá fora, a brisa que passeia pelo “vazio” do ar, torna o ambiente agradável. A cada movimentação da brisa, o cheiro das plantas que ornamentam o espaço sobe e entra pelas narinas abrandando o amargor da alma.

Notebook no colo, pés descalços repousam em cima do banco. As palavras não aparecem, ao contrário, a impressão que dá é que sumiram com os bons sentimentos. Os pássaros ainda cantam, lá fora, produzindo o concerto que só a mãe natureza pode criar.

A indignação é ainda maior, como podem o sol brilhar e os pássaros cantarem após o 29 de novembro de 2016?

Talvez não haja resposta para essa pergunta, talvez – o mais provável- até haja uma resposta, mas nossa ignorância nos mantém na cegueira da compreensão.

Ontem foi duro. Tentei trabalhar, não consegui. Tentei escrever, consegui menos ainda. Tentei sorrir, mas a vida não possuía graça, muito menos alívio.

As expectativas giravam em torno da possibilidade da mantença de mais um jogador. “Morreu ou não morreu?” era a pergunta mais constante no mundo, pois que sobrevivesse “pelo menos mais um”.

O dia foi estranho.

Hora da reflexão.

Momento de pensarmos sobre o que realmente significa a vida, qual o sentido técnico-filosófico de estarmos aqui? Muitas pessoas sentiram a gravidade dessa regra da vida, outras, ainda se mantém na sua própria ignorância e hipocrisia.

Hoje o discurso mudou, como sempre, estão tentando achar um culpado, “o culpado”.  Ou seja, DE FATO, não aprendemos nada. Absolutamente nada.

Se é regra da vida “não julgues, para não seres julgado”, então por qual motivo queremos julgar o piloto? Ou seja lá quem for?

A vida é mais do que isso, a vida é para ser sentida, “vivida”, “aproveitada”; como diria o eterno brother Chorão:

Não deixar que a vida passe em vão
Sem que eu possa errar também
(Sem que eu saiba o que fazer)
Não deixar que a vida passe
Sem que eu possa enlouquecer

 

É isso. O trecho demonstra bem o que é a vida, pois, o fato é que não se trata apenas de “não julgue os outros, pois também erramos” ou do “errar é humano”, o significado vai além. Não só errar é normal, como é necessário.

Se você jamais errou, ainda não viveu.

Aposto que cada um daquelas pessoas gostariam de estar aqui, para errar mais uma vez, para poder dar, nem que fosse pela última vez, o aconchego do abraço a seus familiares, poder se despedir dos filhos, olhar dentro dos olhos deles e dizer “Tu serás uma grande pessoa, a partir de amanhã não estarei mais aqui fisicamente, mas serei a estrela que irá te guiar”.

Cada uma daquelas pessoas teve seu sonho interrompido. Não por terem sonhado alto demais, mas por ter no tempo seu maior inimigo.

Ontem o dia foi duro. Hoje está sendo duro. Amanhã será duro.

Nunca é fácil, mas iremos nos acostumar e continuar, seguir em frente orando por todos aqueles que por aqui já passaram e, também, pelos que aqui estão.

Tenho certeza que me perdi no texto, fugi ao foco principal. Mas, não me julguem, não julguem o piloto, não julguem ninguém, invista o seu tempo para você, pois amanhã poderá nunca chegar, ainda  que os pássaros continuem a cantar.

Aurelio Mendes – @amon78

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s