A paixão alimenta a intolerância que macula o futebol

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Sempre costumo levar comigo uma frase que me fez refletir e evoluir, trata-se do título de um livro que se chama “Paixão, o pântano da alma”.

Quando vi o indigitado título, tive a curiosidade despertada, pois sempre pensava que éramos movidos pela paixão, seja pela vida, por um outro alguém ou por algo. Mas, ao adentrar no conteúdo, conferi o que era patente, mas que nem sempre gostava de ver: a paixão é o inverso da razão, sendo assim, com base nela acabamos praticando atos reprováveis, impulsivos, dos quais, quase sempre, nos arrependemos.

A assertiva acima não significa que não devemos nos apaixonar, nem deixar de amar algo, mas que é salutar mantermos a razão em uma proporção que nos faça refletir antes de tomar qualquer atitude.

Feita essa introdução, passo a ingressar no tema acima, a relação torcida vs clube, precisamente sobre o SPFC.

A disceptação do tema talvez nunca será solucionada, eis que, é inevitável, que estamos na seara onde o sentimento bate forte, muito mais do que o normal.

Sobre a estreita relação torcida e clubes de futebol, pode-se encontrar inúmeros textos, alguns apaixonados, nos quais o  subscritor expressa todo seu amor, outros de protestos, onde há revolta por situações que não agradam, etc. Essa relação, torcedor vs clube, nem sempre se limita a gritos, vaias, textos ou lágrimas, muitas vezes, têm por corolário, a agressão, a violência gratuita, a qual não pode jamais ser justificada.

No sábado transacto, a torcida do SPFC, organizadas e comum, foram até o Centro de Treinamento da Barra Funda para protestar contra a atual fase do time, não só pelo resultado da quarta-feira passada, nem pela 11ª colocação no campeonato, após 22 rodadas, mas pelo futebol e empenho demonstrado em campo, pelas falhas da diretoria, pela irresignação com o que vem ocorrendo nos bastidores do clube, entre outras situações. Nesse protesto, acabou que os torcedores que lá estavam, lograram êxito em ingressar no CCT, invadiram o campo e, pasmem, chegaram a agredir jogadores. O medo e receio eram visíveis nos rostos dos jogadores que ali estavam. O peruano Cueva, ainda que poupado, demonstrou em sua face, um temor imenso. Era cristalino o medo de ser agredido pela torcida. Esse cenário não ficou limitado ao peruano, mas atingiu outros jogadores.

Como se não bastasse, furtos ocorreram no CCT, bolas, galões de água, entre outros objetos foram subtraídos por verdadeiros gatunos, sem que qualquer pessoa fosse pega e/ou punida.

Vale a ressalva, o protesto é válido, quando pautada na razão, não apenas na emoção.

Enfim, o sábado do São Paulino foi agitado e vergonhoso.

O dia se vai, domingo  surge com o sol que nasce iluminando o mundo, dando cor à maior obra de arte já vista, a própria terra. Dia de jogo, a torcida que poderia estar empolgada com a partida que ocorreria logo mais, não estava. Os ânimos não eram pacíficos, a desconfiança estava no ar, a chateação também.

Até que um SPFC totalmente desconstruído entra em campo, no próprio Morumbi, sem conseguir esquecer o dia anterior, as ameaças, o olhar raivoso de um torcedor que – de fato – está órfão de clube e que possui muito amor no coração, o punho que amassou a camisa de treino, enfim, era impossível afastar os acontecimentos anteriores. Sendo assim, o SPFC não superou o protesto, muito menos seu rival, “apenas” empatando com o time do Coritiba, em uma partida que era para “três pontos”.

Fato que a torcida não pode ser culpada pela fase do clube que, após a Libertadores, parece ser outro, sem garra, brio e vontade. Mas, não há como se afastar que o resultado de ontem, foi sim, decorrente dos protestos. Ninguém gosta de ser agredido em seu ambiente de trabalho, como disse, protestos são válidos, desde que pacíficos e regrados pela razão.

A torcida deixou-se levar pela emoção. Provavelmente ainda permite que o sentimento a domine, mas esse é o caminho certo?

Até quando iremos ver o futebol não apenas como o esporte que é, mas como o motivo maior de nossas vidas?

Aurelio Mendes.

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