Fé é não querer saber o que é verdadeiro.

Fé é não querer saber o que é verdadeiro.
Ser São-Paulino é antes de tudo um estado de espírito.
@Trihexale – 23 de junho de 2016

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Introdução

Umas das principais coisas a qual Nietzsche gostava de escrever era sobre a religião, a fé ‘cega’ que a sociedade tem em um ser maior, Deus. E baseada nessa fé, vive de uma maneira muitas vezes crua e piedosa, se martirizando como diz em um outro trecho de sua obra:

“(…) Ele deve buscá-la em si mesmo, em uma culpa, um pecado de passado, ele deve
entender seu sofrimento mesmo como uma punição”, o que nos faz pensar que a fé não é
tão boa assim, e que nem sempre seguir ‘as regras’ é a melhor opção.

trihexale

A Fé que nos entorpece.

Era meados de 1977 quando percebi que algo insano tomava conta de mim. Tinha menos que 8 anos, e um sentimento maior que só entendia quando conseguia ver coisas teoricamente proibidas na TV. Ainda era anos de chumbo, Ernesto Geisel era o presidente, e conduzia nosso país no mais profundo atraso, tanto político, quanto cultural. A liberdade era muito controlada, quase inexistente, e assim meninos como eu, foram sendo formados, assistindo enlatados americanos e desenhos animados. Esportes? Só em época de Mundiais, Panamericano e Olimpíadas , e o futebol só em radinho de pilhas e o que a Globo liberava para a gente ver. Os domingos eram inocentes, com Silvio Santos dominando a telinha de dia, e o Fantástico a noite. Mas algo acontecia às 4 da tarde, todos nós, homens, crianças, mulheres, uniam-se em volta do rádio para ouvir uma partida de futebol. Nada mais insano para os dias de hoje. Pessoas reunidas em volta de um aparelho que com a emissão do som, aguçando apenas um dos nossos sentidos, a audição, mas que multiplicava toda nossa corrente de sangue, alma e pensamento. Nada foi mais emocionante que acompanhar uma partida de futebol, de seu time de coração que pelo rádio. Era uma mistura instigante de prazer. Uma explosão de ilusão, sofrimento, imaginação, e porque não de tortura. Era incrível perceber que a minha volta, todos tinham reações diferentes, e às vezes completamente inesperadas. Uns saiam da sala, outros pegavam mais uma bebida ( a cerveja não era tão acessível assim…), outros brigavam e discutiam entre si, alguns partiam para as mais variadas e divertidas   superstições, e muitos, muitos mesmo, abusavam da ignorância, vingando-se no rádio um gol do adversário. Era nos momentos de aflição, numa simples partida de futebol, que aproximávamos mais de Deus, do nosso Deus, da nossa Fé, ou seja, do Deus e da Fé do torcedor.
Tudo isso pode soar como heresia, principalmente para um cristão praticamente como eu. Sempre tive o cuidado em separar a Fé divina, da Fé no meu time de coração, o São Paulo, mas confesso não conseguir pisar no Morumbi sem fazer o sinal da cruz, três vezes. Sim, sempre três vezes. Hoje cometo a incoerência de estudar muito o comportamento humano e suas diversas vertentes, mas quando a bola rola, e vejo a camisa tricolor em campo, faço o mais vexaminoso ritual de Fé como se um anjo estivesse se apresentando para uma luta inglória contra algum mal. Eu sei que esse sentimento não faz bem quando nos deparamos com a realidade. A Fé no futebol é ridícula quando comparada aos problemas sociais e clínicos que pairam nossa volta. Mas será que somos normais? Ou melhor, como tanto disse Nietzsche: “Precisamos sempre seguir as regras” e nos colocar ao lado do politicamente correto? Não é crime ser um tanto insano, se você não prejudica a ninguém, a não ser às vezes a você mesmo. Essa atração por se enganar, por sabotar seus sentimentos, nunca é tão evidente quanto na cabeça de um torcedor.
O #SPFC , diante de toda sua história, conseguiu formar uma legião de torcedores com um única característica, a de absorver o estado de espírito do conjunto torcida, time e direção. Parece que precisamos funcionar como um relógio, ou peças de um automóvel, onde se algo não esteja em completa harmonia, nada funciona, e no nosso caso real, parece que nada presta. Não sabemos ser campeões com violões na história. Não sabemos exaltar o erro. Nossos protagonistas são ídolos, e jamais admitiremos que alguém que nos represente esteja fora desse contexto. Por isso somos encarados como arrogantes, e rotulados negativamente pela maioria da mídia esportiva. O são-paulino jamais vai admitir um título sem um ídolo em campo, quando isso ocorre, o ídolo é nosso técnico. É assim e sempre será. Não vamos permitir nunca, sermos campeões com um PRESIDENTE tirano. Não vamos! As pessoas que conduzem o clube, também são eternamente fiscalizados, pelo simples fato de que não somos único e exclusivamente torcedores, nós fazemos parte dessa engrenagem, somos o sangue do organismo chamado Tricolor Paulista.
Nossa fé moveu o time de Friedenreich, Leonidas, Rui, Bauer e Noronha, Zizinho, Gerson, Pedro Rocha, Chicão, Careca, Telê, Raí, Lugano, Muricy e Ceni. Nossa Fé foi pioneira, foi violada, imitada, mas jamais corrompida. Ninguém externamente ou internamente conseguiu angariar poder para mudá-la. Nossa Fé é injusta e opressora, não aceita o não, muito menos, o menos. Nossa fé não é praticada, nem passível de explicação.

Nossa Fé , não é apenas o sentido único de Fé. Nossa Fé escreve uma verdade diária.
O nosso Deus, também é Deus, não maior que o Deus dos homens, não maior que o Deus de muitas crenças, mas nosso Deus é gigante, pois é o Deus que jamais gostaríamos de encarar outra verdade.

Toda nossa história de conquistas têm um sentido, uma Fé e uma verdade.
Nossa verdade é a liderança, a vitória, as conquistas com a insanidade permitida por nossa Fé, mas com o respeito de todos os valores da Fé e do Deus dos homens.
O menino de 8 anos foi formado na sociedade criticada por Nietzsche que acreditava que a fé corrompia o ser humano, o tornava mais fraco, vulnerável, e até menos livre, ou seja, quem seguia piamente a fé estava preso a ela.
Mas o menino de 8 anos tornou-se um são-paulino que deu um nó em Nietzsche, pois estamos preso à Fé, mas nossa fraqueza é nossa maior virtude.
“Nenhum vitorioso acredita no acaso.”
A Fé do São-Paulino é cega sim, dane-se Nietzsche e a sociedade!
Deixe-nos com nossa verdade!

@trihexale – #FreedonTricolor

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