Simplesmente ser…

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Ele estava lá parado, sentado em um patamar de concreto, sozinho, como sempre vagou por aí, acompanhado apenas de seus pensamentos, com eles alegrias, frustrações, conquistas e decepções.

Olha para o céu, ávido para atingir a perfeição do céu azul, claro, calmo e sereno. No qual há algumas interferências, não menos perfeitas, as nuvens que formam desenhos cristalinos decorando a perfeição do cenário que envolve a alma, tranquilizando-a, afastando os aborrecimentos que cercam suas memórias recentes e também encorajando seu coração a retornar a bater.

Ele percebe leves movimentos que passam riscando o céu, que ainda fura as nuvens como se fosse uma flecha atirada por um cupido qualquer, acertando o coração da paisagem. Eram pássaros, pássaros que voavam como se tivessem que inspirar um espetáculo de ballet.

As asas planam, fazendo com que eles deslizem pelo ar, em movimentos complexos, um plié sai com facilidade, o que ocorre da mesma forma com o Jeté, aquele que antecede o giro em 900 graus feito completando o adagio perfeito.

O tempo solta seu barulho. Um som inaudível para a grande maioria dos Homens, apenas os mais atentos e conexos com a vida que conseguem ver.

O coração bate.

Bate.

Bate.

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A vontade é que ali, naquele lugar fenomenal, ele pare. Repouse, proporcionando que seu corpo passe a flutuar, para que ele viaje como sua mente faz. Seguindo os caminhos de seus pensamentos que  fluem, escorrem e espairessem dentre o quadro da vida. Ele pensa e  se lembra de todo e cada instante do qual ele fora testemunha, de cada balançar das tramas de poliamida – mais conhecida por nylon – do tilintar proporcionado pelo couro quando ele se choca com o ferro das traves, do suor escorrendo por rostos concentrados, da grama que gruda na face agoniada a procura de uma saída para o labirinto tático estabelecido. Ou seja, do testemunho do show.

No silêncio, tudo aquilo é diferente. O tic-tac do relógio substitui o coro decorrente de milhões de gargantas sedentas, as quais extravasam a agonia e a tensão causada por uma percepção tão complexa da realidade criada e realizada em aproximadamente 90 minutos.

Bem da verdade, o terreno é sagrado, por isso ele se sente confortável e feliz na sua própria presença.

O solo é sagrado e por isso amado.

O concreto, o tijolo, o cinza são adornados pelo vermelho, o qual até tenta, mas não consegue disfarçar os defeitos. Mas isso pouco importa.

Quem ama, ama. Independentemente de qualquer coisa.

Ele alisa o seu entorno, o resultado da junção de areia, pedra, cimento e água, toca com toda a sensibilidade do corpo, de sua mente, do seu coração.

Alisa-o como se estivesse tocando a tez aveludada das coxas de sua amada, observa o respiro, a essência, Olha-o fixamente como se tivesse que enfrentar o olhar dela, aquele mesmo que penetra em seu coração e o motiva para seguir em frente.

Ele o namora.

O conforto da vida é proporcionado pelo o que há em sua mente, em sua paixão, sua vida seguirá solitária.

Sempre será.

Mas, ele não se importa, basta que ele fique em seu templo, porque lá é seu lugar.

Esse é o Morumbi.

Aurelio Mendes – @amon78

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