Crime e Castigo, Uma Crônica da Soberania Tricolor!

“Crime e Castigo” de Dostoievski foi publicado em 1866 e talvez nunca tenha tido seu conteúdo tão necessário quanto agora para explicar o comportamento e as casualidades dos seres humanos como nos dias de hoje. 

A Uma Crônica da Soberania Tricolor” traça uma adaptação da história do protagonista da trama, um jovem estudante que comete um crime, com o que vivenciamos em diversos cenários de nossa vida cotidiana. Considerando o nível de delitos e intensidade de ações, encontramos “Crime e Castigo” no nosso trabalho, nas escolas, no nosso convívio, na política de nossa cidade ou país. Podemos ainda transportar os conceitos e consequências da história que se passa no final do séc. XIX, na trajetória recente de diversos personagens da política da nossa paixão, o #SPFC, explicando ações e atitudes de nossos líderes, através da semelhança de comportamento do protagonista da obra de Dostoiévski.

O romance se baseia numa visão sobre religião e existencialismo com um foco predominante no tema de atingir salvação por sofrimento. O personagem principal, “Raskólnikov”, apesar de ex-estudante de Direito, é um homem extremamente pobre e que vive angustiado pela sombra de fazer algo importante. Ele divide os indivíduos em ordinários e extraordinários, numa tentativa de explicar a quebra das regras em prol do avanço humano. Seguindo esse preceito, o personagem planeja e concretiza, em meio a uma luta com sua consciência, a morte de uma agiota. 

Parte 1) – O Crime: Uma série de acusações fizeram da gestão Carlos Miguel Aidar a mais desastrosa da história do clube, que não pode e não deve ser esquecida. Independente do julgamento de valor, do ressarcimento dos prejuízos à instituição, da penitência dos acusados, o primordial é que culminou na inédita decisão do Conselho Deliberativo pela “Expulsão” do órgão de dois dos mais influentes personagens da vida política do clube, o próprio ex-presidente e renunciante Carlos Miguel Aidar e seu fiel escudeiro, o Super VP, Ataíde Gil Guerreiro. 

Os mesmos foram cassados por decisão da maioria dos conselheiros. Tudo pautado por uma sequência de acusações de delitos, desde irresponsabilidade administrativa, tentativa de assassinato, realização de negócios financeiramente inexplicáveis, até o direcionamento de benefícios em contratos advocatícios e comissionamentos. Para dar um ar de “romance” à nossa adaptação, ainda temos uma terceira personagem, executora e decisiva. Cinira Maturana, uma paixão antiga do ex-presidente protagonista, aparece como namorada e “pessoa de confiança” do gabinete, tornando-se cumplice da maioria das ações de um plano de poder arquitetado desde antes da famigerada e mais disputada eleição do clube. 

CMA nomeou Ataíde e Cinira como pessoas de sua maior confiança e interrompeu a interferência de terceiros, mesmo que estes possuíssem mais poder que seus comparsas. Abaixo da tríade, outros súditos faziam a base de sustentação do plano de poder formando um anteparo rígido de defesa e ocultação das principais escusas ações. Quem interferia na condução do plano, era implacavelmente afastado. Diante deste cenário, o crime cometido foi a tentativa de implantar um Plano de Soberania, que nada mais era que uma ação macro de construção de uma máquina de alimentação de benefícios ao “rei soberano” e seus asseclas.

O crime de CMA foi trazer a promiscuidade admirativa ao clube, e junto com ela, pessoas de sua confiança para enraizar essa forma pouco convencional de vida. Ou seja, a partir da forma do plano de ação exposto, quem se propôs a mergulhar junto, não pode ser desmembrado do contexto.

Parte 2) – O Julgamento: Ambos foram derrubados pelo Conselho de Ética, que assim afirmava em seu documento de parecer: “não endossam acordos espúrios e não aceitam a retórica enganosa auto defensiva, o raciocínio fraudulento, a publicidade mentirosa. A economia, a ética e a moral foram despedaçadas”. 

Após a análise de todos os contratos e atos da administração CMA, não importam mais o peso relativo das ações “A economia, a ética e a moral foram despedaçadas”, e uma história de quase oitenta anos foi manchada, por “pessoas”, tornando o julgamento um detalhe para o afastamento de todo mal.

No Conselho Deliberativo e também no de Ética, órgãos fiscalizadores, equilibrados e orientadores, não é preciso que o ato seja flagrante, basta que a intenção e índole sejam.

Ali, deve ser punido até mesmo o crime da alma”. 

Os verdadeiros donos do clube são seus associados e torcedores que  possuem como capital “a história” escrita por homens extraordinários, e isto deve ser preservado implacavelmente para as futuras gerações. Cabe aos homens presentes, orientar a nova escrita no caminho das conquistas, da prosperidade econômica, da probidade administrativa e responsabilidade social. No caso, flagrante, os três personagens estão inseridos em cada etapa do processo, portanto, não podem ser desmembrados.

CMA, Ataíde e Cinira são uma unidade, uma força maciça de ideia, planejamento, razão, e execução. 

Parte 3) – O Castigo: Na obra de Dostoievski, antes de fugir da cena do crime, Raskólnikov também comete, a contragosto, levado apenas pela situação de surpresa, o assassinato de Lizavieta, irmã da velha agiota, pois ela havia aparecido no local inopinadamente. Raskólnikov rouba algumas joias, mas não chega a usufruir desse ganho e, sentindo-se arrependido, enterra-as sob uma pedra. Após tal fato e seus desfechos, o romance relata de maneira detalhista os dramas psicológicos sofridos pelo autor do homicídio que por fim confessa o crime que cometera.

Diante disso, dessa etapa da obra, onde o personagem principal comete outro crime para ocultar o primeiro, e mesmo assim, ainda rouba, apesar de não ser ladrão e de não usufruir deste ganho, o faz apenas para conceder-lhe um álibi à cena do fato, cabe-me a pensar que é crime também efetuar crimes entre si. O crime entre os comparsas não deixa de ser crime, é “o crime de alma, é o crime de intenção, é o crime de quem vive angustiado pela sombra de fazer algo importante, como se isso justificasse a sua má intenção. Este foi o crime de Ataíde. O crime dos indivíduos ordinários, que não mede consequência do peso de sua atitude e que se sobrepõe a qualquer conceito de ética e moral. Os dois parceiros chegaram juntos ao poder, e dependiam um do outro mutuamente, mas um dos lados resolveu se rebelar apenas quando grande parte do plano de poder foi descoberto. 

Portanto é inaceitável defender um dos lados de acusação, e/ou questionarem a decisão emitida pela maioria do Conselho Deliberativo, essa sim, uma decisão SOBERANA.

Ao acolher um dos acusados à sua diretoria, como fez com Ataíde, o Presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, passa a ser parte integrante deste contexto, pois ridiculariza e desrespeita a ação do órgão fiscalizador, fere a ética da casa que ele mesmo tão bem presidiu. Agindo dessa forma, Leco passa a agir como Raskólnikov, tentando “enterrar” as joias roubadas, colocando-as sob uma pedra soberana e intocável. Como se enterrar o crime, vá apagar a intenção, o ato, e “o crime da alma”.

“No decorrer da história, Raskólnikov, visto o fato, o tamanho do crime que ele cometera e as pessoas que sabiam e desconfiavam do ocorrido, mais parecia que não eram as pessoas que o importunavam, mas a sua consciência que sufocava, esfacelava seu íntimo. Mostras de que ele não fazia parte do grupo dos extraordinários, indivíduos nos quais ele considerava capazes de cometer quaisquer crimes, ou infringir regras sem culpa alguma. Por fim, Raskólnikov  é preso e sua pena foi de passar oito anos em uma cadeia na Sibéria”. 

O que se espera do desfecho de um crime, ou delito por menor que seja, é a justiça, o castigo e a punição. Nenhum dos dois ex-amigos cumprirão pena na Sibéria, mas serão torturados pela consciência e solidão que acompanha os acusados. A sociedade sempre vai encará-los com desconfiança e desprezo. Não há mais confiabilidade, ambos não fazem parte dos indivíduos extraordinários.

Por todo envolvimento profissional e fraternal dos acusados, Ataíde e Carlos Miguel, são a mesma moeda, separados por lados opostos, moeda esta que deverá ser esquecida na gaveta da rica história do São Paulo Futebol Clube. E Leco, não tem o direito de jogar “cara ou coroa” com essa moeda que custou muito caro para todos os são-paulinos.

@trihexale

Nota: Os detalhes do envolvimento total do Ataíde, juntamente com o CMA e Cinira, e que foi base de decisão para o conselho de ética você vê aqui:

http://espn.uol.com.br/noticia/596629_em-expulsao-conselho-diz-que-ataide-combinou-comissao-com-cinira?utm_content=buffer43c63&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_c

Fiódor Dostoiévski: O autor ficou conhecido por inspirar pensamentos filosóficos, sociológicos e psicológicos que influenciou nada mais e nada menos que: Nietzsche, Sartre, Freud, Orwell, dentre outros. Os flagrantes traços autobiográficos, como a adoração pela mãe, o vício do jogo (O Jogador) e a fidelidade psicológica, bem como os traços estilísticos do autor, colocaram esta obra, entre as maiores da história da literatura universal e, certamente, junto com Os Irmãos Karamazov, garantiram a Dostoiévski a posição de maior escritor russo da história em conjunto com Lev Tolstoy.

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