Denis e a letra escarlate do SPFC

2016-04-22 17.16.13

A Letra Escarlate, de 1850 conta a vida de Hester Prynne, durante os anos de 1642 a 1649, quando ela tem uma filha fora do casamento e, por isso,  é condenada pela “sociedade puritana” de Boston a usar uma letra “A” (de adultério) vermelha no peito. Assim,  “crime” de Hester é revelado quando seu marido, se perde no mar e a mulher dá a luz uma criança que não poderia ter sido concebida. Assim fica evidente aos olhos da sociedade que Hester cometeu um pecado, o adultério.

A história é épica e fez com que o termo “A letra Escarlate” fosse utilizado em várias situações, quando alguém é marcado por algo, seja uma marcação justa ou injusta.

Se continuarmos na leitura, podemos perceber que os tormentos de  Hester Prynne e Arthur Dimmesdale (personagens centrais da história) são tratados na obra como visões e confrontos de pensamentos.

Posso facilmente afirmar que em A Letra Escarlate, Nathaniel Hawthorne nos remete à discussões sobre moral, intolerância e condenação. Hester e Arthur representando pecado e condenação. Já Roger Chillingworth mostra a raiva da alma, a sociedade chocada. Pearl, a criança, está aqui como um símbolo, a própria letra escarlate, que mesmo inocente, leva a culpa do pecado de seus pais. Aprofundando um pouco mais, percebemos que o confronto entre as gerações se dá entre os puritanos e os que erraram: a falta de humanidade, intolerância para com o próximo. O antigo contra um novo mais flexível, mais perdoável.

E é exatamente sob este aspecto que quero falar e fazer um paralelismo ideal sobre Denis e a letra Escarlate.

Embora eu seja demasiadamente criticado nas redes sociais e nos meios pelos quais ando, não arredo o pé de minha convicção, Denis não é o maior ponto fraco do time. Sim, ele erra, bastante, mas não pode carregar uma cruz que não é a dele.

Provavelmente muitos já pararam de ler esse texto ou já pararam de lê-lo, pois a “intolerância dos puritanos” é evidente, e marcar terceiros com a Letra Escarlate é o que mais motiva as pessoas, que não são flexíveis, muito menos perdoáveis.

Muitos por aí sempre diziam que “não confio no Denis” e quando eu indagava o motivo, recebia respostas como “não confio, simples assim”, “não confio por não confiar” ou “não sei, ele não me dá segurança”.

O fato é que, hoje, muitas críticas feitas à ele são válidas, porque fogem o “não gostar por não gostar”. Denis falhou em 3 dos 5 gols que tomamos na libertadores e isso é sim um motivo plausível de críticas. O resto é tudo idolatria por um dos maiores ídolos da história do futebol, pois substituir um cara que está acima do bem e do mal no futebol não é fácil, é para poucos. Tanto é verdade que dentre todos esses cornetas,  se tivessem que substituir Rogério Ceni, poucos conseguiriam. Sinceramente não sei se Zetti conseguiria, nem Poy, King, ou até mesmo o Marcão.

Grande parte da torcida cobra Denis por ser inseguro, mas ela própria o coloca em um estado de insegurança, cobrando em demasia, questionando toda e qualquer movimentação que o jogador dá em campo.

Isso não é o correto.

Que ele pague por seus pecados, não pelos pecados e glórias alheias.

O paralelismo com o romance mencionado é patente. A torcida formada por uma sociedade “puritana” gera um debate moral sobre o rapaz (Denis é o Pearl, o bebê que não tem culpa do que foi feito), com a certeza de que nunca erraram, com armas em punho para alimentar a intolerância sobre um erro e prontos para proferir a condenação.

As coisas são assim com Denis.

Pearl, mesmo inocente, leva a culpa pelo pecado de seus pais. Denis, mesmo quando inocente, leva a culpa de uma cobrança exagerada e de uma comparação enfadonha e desarrazoada com Rogerio Ceni.

Muitos dizem que as cobranças são normais, pois o SPFC é um time grande, mas isso não é verdade. As cobranças não são aquelas decorrentes da camisa que veste, mas por substituir o maior jogador do clube, a ponto dele ter tomado um gol no ângulo, lá onde a coruja dorme e eu ter lido nas redes sociais “se o braço dele estivesse um pouco mais arqueado”, oras, isso não é um erro.

O jogador continua tendo meu apoio, o que não me isenta de criticá-lo pelos erros. Na libertadores foram 3 importantes, os quais poderiam ter nos custado a classificação. Então, vejo que Denis tem que melhorar, e muito.

Mas, jamais, repito, JAMAIS, irei marcá-lo com a letra escarlate, pois não sou puritano, nem perfeito, muito menos sou alguém na vida para condenar alguém, mesmo sabendo que nesse momento, já estou sendo condenado e crucificado.

Aurelio Mendes – amon78

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