Quando o marketing erra feio

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Saudações tricolores!

Há alguns dias, o twitter oficial do SPFC lançou uma ‘campanha’, procurando (acredito eu) trazer mais torcedores ao estádio. A campanha dizia que torcedores ‘de sofá’ deveriam ir ao estádio, apoiar o time. A ideia, que a princípio pode até parecer boa, na verdade mostrou-se péssima na minha opinião.

O maior patrimônio de qualquer clube é sua torcida. Pode até parecer demagógico, mas não é. O clube vive de sua torcida. Sem torcida, não há clube. E a torcida de um clube não é somente aquela que vai ao estádio. Esse foi o primeiro erro do marketing tricolor.

Tirar sarro de uma parte da torcida, como quis fazer o marketing tricolor não é muito inteligente. ‘Ah, mas um pouco de humor não faz mal a ninguém’. Não quando se trata de profissionalismo. O clube não foi minimamente profissional, ao caracterizar que parte da torcida do SPFC é torcida ‘de sofá’ e dando a entender que ela não ajuda o clube como aquela que vai ao estádio, outro erro.

Tiração de sarro tem que ficar restrito para quem torce e não ao clube. À medida que o clube age de maneira pouco profissional em relação a sua própria torcida, não pode reclamar se outro clube reclamar da mesma coisa, com apelidos pejorativos. Onde está a diferença? Não tem. O clube tem que ser profissional e não foi. Usou mídia social em uma tentativa péssima de chamar mais torcida ao estádio, tirando sarro de uma parte dela. Ridículo, no mínimo.

O clube vive de patrocínio e renda. Assim que paga os salários de seus funcionários. No quesito ‘renda’, colocamos tudo aquilo que gera entrada de dinheiro ao clube, e aqui temos não só os ingressos dos jogos, mas também a compra de produtos oficiais do clube, a compra de pacotes pay-per-view, cotas de televisão, etc. Ou seja, de todas estas entradas, o chamado ‘torcedor de sofá’ é responsável por uma grande entrada de dinheiro no clube. Se simplesmente o clube deixar de receber cotas de televisão (justamente porque se o torcedor que assiste os jogos pela TV deixar de existir), ou ninguém mais comprar pacotes pay-per-view, o clube sentirá profundamente em seu balancete final. À medida que o marketing do clube diminui esse torcedor, está afirmando que ele tem menos importância que o torcedor que vai ao estádio: visão antiga. Torcedor não é só aquele que vai ao estádio. Torcedor é aquele que torce e pronto! E o clube deveria enxergar todo e qualquer torcedor como público consumidor, capaz de trazer dinheiro ao clube. Quando ele deixa claro que um tipo de torcedor é mais interessante que outro, o marketing comete um grande erro.

Tentar chamar o torcedor do SPFC ao estádio poderia ser feito de várias formas. Poderia ter sido feita uma campanha que agora somos todos uma única torcida, que o time precisa do seu apoio, algo assim. Jamais do jeito que foi feito.

E vamos falar o português correto, por que há pouco público nos jogos do SPFC? O time não anda bem, foram poucos os bons espetáculos do time nos últimos tempos. O ingresso não é barato, os jogos começando às 22h não facilitam nem um pouco a vida do torcedor, ou seja, o clube muitas vezes prioriza os interesses da televisão (sim, porque não briga para os jogos serem em horários melhores para o torcedor que vai ao estádio, estranho que aqui, parece que o chamado ‘torcedor de sofá’ tem importância), não abaixa o preço dos ingressos, conclusão: a vida do torcedor que vai ao estádio não é nada fácil e o clube não facilita em nada isso.

Além disso, o clube ignorou parte da sua torcida de outros estados que não tem condições de ir até o Morumbi pela distância (mais uma vez, o erro de achar que torcedor é só aquele que vai ao estádio e não aquele público consumidor que torce).

Quando o marketing erra feio como errou com essa campanha, nota-se a total falta de profissionalismo da administração tricolor. Tanto que depois do acontecido e da péssima repercussão, o responsável pelo marketing disse que não foi consultado sobre essa campanha e pediu desculpas. Como o responsável pelo marketing não foi consultado?? Incrível como o SPFC parece um navio navegando sem comandante.

Mediante a boa apresentação pela Libertadores durante a semana, o assunto foi esquecido. Tomara que outras boas apresentações venham, até porque sem elas torna-se difícil a classificação na Liberta. Mas que o marketing entenda que no mundo moderno, marketing é o resultado de diversas ações integradas: consumidor, análise, propaganda, mercado, vendas, promoções, preço, internet e alvo. Se tudo isso não acontecer de forma integrada, o clube mais perde do que ganha. Que esse tenha sido o último erro grosseiro do marketing tricolor.

Thaís C Paradella.

Crédito da imagem: martinicdigital.com

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2 pensamentos sobre “Quando o marketing erra feio

  1. Muito bom o texto. Parabéns. Reproduz muito do que penso e trata da arrogância sem limites do SP “soberano”, que já começa a se achar novamente após uma só partida boa..talvez a única no ano e após diversas apresentações patéticas e até humilhantes. Erraram e foi feio na tentativa ridícula de provocação. Deveriam saber que a torcida do SP adora a instituição, mas sabe julgar o time. Novamente, parabéns pelo texto.

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