O dia em que Kieza desprezou um tricampeão mundial

O dia em que Kieza desprezou um tricampeão mundial

Por Ricardo Flaitt (Alemão) |

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É jogada ensaiada e manjada que o futebol brasileiro atravessa uma crise. Sem dinheiro para concorrer com o mercado mundial, que agora inclui o dragão chinês, os clubes nacionais têm de apelar para jogadores de segundo e terceiro escalão. Com isso, é explícito nas partidas o achatamento da qualidade dos jogos.

Como se não bastasse o nivelamento para baixo, outros desdobramentos começam a surgir com essas contratações emergenciais, muitas para compor elenco, mas que chegam querendo jogar, arvorando-se na condição de craque, sendo que não o são.

O mais recente caso se deu com Kieza. O São Paulo o contratou para contar com dois centroavantes, ou, homens-de-área, como se intitula o escrete moderno. Kieza está longe de ser craque, porém, chegou ao São Paulo, clube três vezes campeão das Américas e do Mundo, com ares de mega craque.

A constatação, que só existe na postura e na cabeça dele, gerou um fato surreal, no momento em que o jogador, cobrando oportunidades e titularidade, recusou-se a viajar para disputar uma partida válida pela Copa Libertadores da América. Kieza menosprezou o São Paulo, que investiu R$ 4 milhões em sua contratação, para preferir jogar – pasmem – no Vitória, da Bahia, que merece respeito, mas não possui a dimensão do Tricolor.

O ato de Kieza reflete três coisas: profundo desrespeito pela camisa do SPFC, as carências de craques no futebol brasileiro e a crise financeira que solapa os clubes nacionais.

Sem dúvida, o dia em que um Kieza menosprezou o São Paulo é um caso a ser estudado pela crônica esportiva sob dois aspectos que vão do micro, considerando a escolha da diretoria do São Paulo e; do macro, inserido na nova realidade do futebol brasileiro, que definha.

Quanto à contratação do São Paulo, ninguém entendeu ainda o investimento de R$ 4 milhões para um jogador de ataque mediano, sendo que o setor mais necessitado era o sistema defensivo. Em apenas um contraponto, por que não contratar o lateral-direito Buffarini para trazer Kieza, mesmo que estivesse jogando.

A diretoria do São Paulo, em vez de perder dinheiro, tempo e neurônios para contratar o grande Kieza, poderia muito bem ter promovido dois atacantes da base.

Do ponto de vista do futebol brasileiro, a contratação de Kieza desencadeia questões como: qual o conceito atual de craque? Qual o poder de persuasão dos grandes clubes nacionais para contratar jogadores?

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