Amor a camisa só o torcedor tem.

 

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Antes de iniciar minha coluna, gostaria de agradecer ao pessoal do ISTO É SPFC pelo convite e me apresentar brevemente aos leitores.

Meu nome é Fabio Castello Branco Augusto, nasci São Paulino no dia 15/06/1976, filho de pais São Paulinos, irmão do Guna (o mesmo do opinião tricolor), esposo da Rosana e pai do João.

Joguei futebol, amador e profissional. Tive o privilégio de participar do jogo inaugural do CCT da barra funda em abril de 1988. Sim, joguei no São Paulo Futebol Clube, era capitão do time social. Jogava de volante, n◦5 na camisa, era elogiado pela raça e pela técnica, gostava de fazer gols. Lembro que as pessoas na época diziam que eu gostava dos jogos difíceis, os “clássicos”. Gostava de ganhar, não admitia perder. Aos 13 anos fui chamado para integrar também a equipe do centro de treinamento, na época teria que abandonar a escola ou estudar a noite. Meu pai não permitiu. Meu sonho terminara ali.

Após a negativa de meu pai só me restava estudar. Formei-me médico em 2003, fiz residência em ortopedia e traumatologia. Depois fiz mais um ano de medicina esportiva e cirurgia de joelho. Em 2009, fui acompanhar alguns especialistas de cirurgias de joelho em Chicago, Cleveland e Nova York. Voltei para o Brasil e inaugurei meu consultório em 2010, que permanece aberto até hoje.

Agradecimento e apresentação feitos, vamos falar de SPFC.

Quero falar de atitude, quero falar de alma e dessa vez vou falar só dos jogadores. Esses que tem o privilégio de vestir a camisa mais linda do mundo, camisa que enverga varal.

Jogador de futebol, como todo profissional, tem que gostar do que faz, tem que ter prazer em jogar bola e principalmente, não deveria admitir perder. É lógico que as derrotas acontecerão mais devem servir de aprendizado, devem doer no peito. Se isso não acontecer, dificilmente esse jogador vai evoluir na carreira, será medíocre do inicio ao fim.

No futebol, de hoje, só a vitória importa! Foi-se o tempo que tinha que ganhar e jogar bonito. Futebol Brasileiro hoje é resultado. Um ou outro time vai jogar bem.

Um grupo vencedor é formado por vários fatores, mas principalmente por jogadores tem o mesmo e único objetivo de vida: GANHAR! SEREM CAMPEÕES! Eles devem entender que o sucesso e o dinheiro são consequências disso.

Os jogadores atingiram status de intocáveis após a lei Pelé, os clubes viraram reféns deles e de seus empresários. Eles decidem se vão continuar ou não em um clube, o caso Kiesa é apenas mais um dentre vários. Mesmo com as análises feitas pelos dirigentes antes das contratações, ninguém pode previr como um despreparado intelectualmente (jogador) vai agir dentro do clube no dia a dia. Basta aparecer um entrave mais sério que os empresários tiram o jogador de um clube (a pedido do próprio atleta) e colocam em outro, moral da história: mais luvas, mais comissões e mais um clube prejudicado. Infelizmente não são todos os empresários que trabalham de maneira séria visando o melhor para o clube e para o seu cliente.

Estão acabando com os clubes do futebol brasileiro permitindo que essa Lei permaneça em vigor.

O jogador precisa ter a consciência de que o clube é muito importante para a sua carreira, valorizar e aprender a amar a camisa que é responsável pelo seu sucesso e pela independência financeira de sua família. Defendê-la como defenderia um filho. Entender que qualquer vitória é importante, que um título é conquistado diariamente no centro de treinamento. Esse modo de pensar não pode deixar de existir e deve ser levado ao campo. Isso é fundamental, mas para que isso ocorra é necessário caráter, união, atitude e alma.

Via muito isso até o final da década de 90, início da lei Pelé. Não vejo isso nos grupos de jogadores do SPFC há muito tempo, desde 2008. Vi um pouco disso durante a curta passagem de Kaká. Vejo relances disso em alguns jogos. Não sei se falta união, mas faltam alma e atitude nesse grupo. Sem isso ficará difícil se classificar para as oitavas de final da taça libertadores.

Ps1: Sobre o jogo de quarta feira afirmo que a responsabilidade por esse pífio resultado é 100% dos jogadores e do treinador. O time do bairro ganha do Trujillanos na Venezuela.

Ps2: Infelizmente recebi o troféu do CMA.

Ps3: Vamos ver como esses jogadores acomodados do SPFC vão reagir com a troca da diretoria.

Dr. Fábio

cabeçario 960 270

6 pensamentos sobre “Amor a camisa só o torcedor tem.

  1. Parabéns pela estreia Dr. Fábio. Sensacional.
    Que linda história de vida e, infelizmente, perdermos um grande jogador de alma e corpo.
    As palavras são verdadeiras, não há mais paixão pelo esporte e a Lei Pelé ferrou com tudo.
    Seja bem-vindo.

    Curtido por 1 pessoa

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